Como arcano de nascimento, descreve uma pessoa que guarda de bom grado uma parte de si em reserva.
Vemos essa pessoa escutar por muito tempo antes de responder, reter um detalhe que os outros esqueceram, preferir o grupo pequeno à grande festa. A atenção dela passa pelas nuances, menos pelas grandes declarações.
Essa carta convida também a se perguntar o que guardamos para nós e por quê. O silêncio pode ser uma escolha de profundidade, mas pode ser também um jeito de evitar o desacordo. O retrato não decide: ele coloca a pergunta e deixa a cada um o cuidado de responder.
Ao longo dos dias, pensamos em quem percebe que alguém ficou calado durante a refeição, ou que relê o contrato inteiro antes de assinar. A contribuição dessa pessoa é discreta, e muitas vezes decisiva.
A Papisa está sentada, com uma tiara na cabeça e um livro aberto no colo. Um véu cai sobre seus ombros. Ela não se dirige a quem olha e não diz nada do que lê. Sabe, mas não se explica. Mais que um poder, a carta mostra um jeito de se interessar pelo sentido das coisas, em voz baixa.
A Papisa: recursos e atenção
Seus recursos
Ajuda a entender uma situação antes de intervir e a manter a calma quando o grupo se agita em torno de um assunto.
Inspira também confiança: confiamos a ela mais facilmente o que não ousamos dizer em outro lugar, e ela guarda isso sem esforço. Em um grupo, faz a ligação entre as pessoas sem se pôr em evidência.
O que pede atenção
Ela pode também confundir observação com espera e deixar passar o momento de dizer o que importa, ou se esconder atrás do seu saber e dar a entender que não tem nada a acrescentar, a ponto dos outros decidirem sem ela.
O silêncio prolongado acaba às vezes isolando.
A Papisa no casal, no trabalho e com o dinheiro
No casal
Essa figura ama devagar e em profundidade.
Percebe o que o outro cala, lembra de uma frase dita meses antes e oferece uma presença calma. O pudor dela pode, porém, desnortear: o parceiro às vezes espera palavras que a Papisa julga inúteis, já que as pensa com tanta força.
No trabalho
Arquivos, pesquisa, revisão, aconselhamento confidencial: a Papisa se destaca onde é preciso saber antes de agir.
Lê o dossiê até o último anexo e percebe a incoerência que todos deixaram passar. Falar em reunião lhe custa mais; as melhores ideias dela passam muitas vezes pela escrita.
Com o dinheiro
Prudente, a Papisa conta em silêncio.
Lê as condições de um contrato antes de assinar, compara por muito tempo e mantém uma reserva da qual fala pouco. Essa seriedade a protege das compras por impulso. Às vezes, porém, adia um gasto útil por excesso de reflexão, ou não ousa cobrar o que lhe é devido.
Retratos para se reconhecer, não anúncios: o arcano de nascimento não diz nada sobre o futuro.
A Papisa: conselho, número e tradições
Com A Papisa: para experimentar esta semana
Escolha uma conversa em que você costuma se calar e prepare duas frases que digam o que você realmente pensa.
Você verá como os outros reagem.
O arcano 2 e o número 2
Na numerologia, o 2 representa o ouvido atento, a sensibilidade e a sintonia a dois.
A Papisa é uma imagem sóbria disso: um caminho de vida 2 pode se reconhecer nela, com o mesmo jeito de compreender os outros sem barulho e de guardar suas observações até o momento certo. Onde o 2 busca o acordo, a Papisa busca o sentido: duas formas da mesma escuta.
Seu talento é saber antes de compreender. Ele se manifesta quando você evita um negócio duvidoso por uma simples impressão, quando encontra as palavras que acalmam uma pessoa em lágrimas, quando um animal medroso vem até você. Ele se exerce na escuta e no apoio psicológico, na naturopatia, na mediação, na pesquisa documental ou histórica, nas artes divinatórias e na simbologia, nos cuidados com animais. Para refiná-lo, registre os seus pressentimentos em um caderno datado e compare-os depois com os fatos, estude uma disciplina que estruture o sentir (tarô, astrologia, psicologia profunda) e reserve todo dia um momento de silêncio sem telas.
Com a fórmula de Arrien e de Greer, a Papisa nunca sai em primeiro lugar: ela fica recolhida, como na carta.
Dois totais a têm como carta da alma: 11, a Força, e 20, o Julgamento. Por trás da energia que domina ou do chamado que desperta, ela coloca uma escuta interior.
A Papisa em dois baralhos
Em Conver, cujo baralho é datado de 1760, a Papisa usa a tiara, um véu estendido atrás dela e um livro aberto no colo.
O baralho publicado em Londres em 1909 por William Rider & Son a transforma em “The High Priestess”: sem tiara papal, mas com duas colunas marcadas B e J, um rolo em que se lê TORA e um crescente de lua aos pés.
Dia + mês + ano, reduzidos enquanto o total passar de 22 → 2.
É um arcano raro com esse método: só um total de exatamente 2000 leva a ele, o que diz respeito apenas a uma pequena série de datas, entre elas 17 de junho de 1977.
Este é mesmo o seu arcano?
A Papisa, carta da alma
Total 11XI · A Força
Total 20XX · O Julgamento
Carta da almaII · A Papisa
1 + 1 = 2; 2 + 0 = 2
Tradição transmitida por Angeles Arrien e popularizada por Mary K. Greer, autora americana de livros sobre o tarô.
Perguntas frequentes sobre A Papisa
O que significa o arcano 2 de nascimento?
A Papisa evoca o saber guardado e a escuta silenciosa. Vista como arcano de nascimento, a Papisa retrata alguém que observa, retém os detalhes e prefere a nuance à demonstração. O véu e o livro são os principais símbolos, mais que a tiara.
Que data dá o arcano 2 de nascimento?
É preciso que dia, mês e ano totalizem exatamente 2000, nem mais nem menos. Um nascimento em 17 de junho de 1977 faz parte: seus algarismos, somados, dão de fato 2. Poucas datas chegam lá, daí a raridade desse arcano.
Arcano 2 e caminho de vida 2: qual é a ligação?
Ambos falam de escuta e de discrição. A Papisa dá a imagem de uma inteligência recolhida, o caminho de vida 2 a versão relacional: perceber as relações discretas entre as pessoas. Com o caminho de vida 2, ela partilha também uma certa prudência antes de se comprometer.
A Papisa existiu de verdade?
A imagem às vezes é aproximada da lenda da papisa Joana, mas nada o prova. Para ler um arcano de nascimento, guarde sobretudo o livro e o véu: o saber interior. Ninguém pede para acreditar na lenda para apreciar a carta.
Ilustrações: tarô de Marselha de Nicolas Conver, datado de 1760, versão restaurada pelo Tarot World Project, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons; imagens reduzidas e comprimidas pela Versana.