Número em excesso 9: o sentido
Um 9 em excesso se encontra, portanto, com bastante frequência.
O 9 tem só duas letras, I e R, mas ambas são frequentes em francês. Esse algarismo é o do altruísmo, da tolerância, da visão ampla, da aspiração a um mundo mais justo. Em abundância, essa abertura perde os contornos. O excesso aparece primeiro no dar. Dar tempo, escuta, ajuda, às vezes dinheiro, torna-se tão natural que já não se verifica quanto custa. Recusar parece egoísta, impor um limite parece mesquinho.
O ideal, depois, pode se afastar do concreto: sonha-se com grandes causas, com mudanças profundas, e o cotidiano parece decepcionante em comparação. As expectativas em relação aos outros seguem o mesmo caminho, de modo que as desilusões se multiplicam. Por fim, o interesse por tudo o que toca o humano pode dispersar: vários compromissos, várias lutas, nenhuma levada realmente até o fim. Nada de ingênuo nesse 9 transbordante. É uma grande capacidade de empatia que carece de âncora e de fronteiras.
O 4, que traz de volta ao concreto, e o 1, que lembra que também existimos para nós mesmos, são os contrapesos. Pouco presentes no seu nome, deixam o 9 se diluir; bem representados, dão a ele uma direção. Reequilibrar esse algarismo não significa dar menos de coração. Trata-se de escolher para onde vai a sua energia, de medir o que você pode oferecer sem se esvaziar, e de aceitar que a imperfeição do mundo não repousa só nos seus ombros. Quando a expressão ou o caminho de vida também valem 9, essa abertura colore o conjunto; é melhor então reservá-la a alguns compromissos escolhidos.