Ir para o conteúdo

Precauções com as pedras: os perigos reais

Os riscos reais das pedras são materiais: pó de cobre, metais liberados na água, lascas cortantes, pedras pequenas engolidas, imitações vendidas como verdadeiras.

Poeiras: as pedras com cobre

A malaquita, a azurita e a crisocola são minerais de cobre; a shungita também contém metais. Enquanto estiver polida e inteira, uma pedra assim não oferece problema ao toque. O risco vem do pó: lixar, serrar, furar ou polir uma pedra bruta por conta própria o libera. A ficha toxicológica n.º 294 do INRS (França), dedicada ao cobre e a seus compostos, entre eles o carbonato básico que forma a malaquita, descreve a maioria deles como nocivos por ingestão e nocivos ou tóxicos por inalação, e pede que se evite qualquer inalação de poeiras. Para um trabalho de lapidação, trabalhe com água, com máscara filtrante, em um cômodo ventilado; depois de uma pedra bruta, lave as mãos.

Elixires: nunca na água de beber

Um “elixir” consiste em deixar uma pedra de molho em uma água que depois se bebe. Nada justifica esse uso, e ele expõe aos elementos que a pedra libera. Em 2021, o instituto alemão de gemologia EPI colocou uma amostra de amazonita por uma hora em uma solução ácida que imita a saliva, segundo a norma de brinquedos EN 71-3: o chumbo liberado ultrapassava cerca de cinco vezes o limite. No mesmo ano, um estudo do Journal of Water and Health mostrou que a shungita liberava na água níquel, chumbo e cádmio, acima dos limites da água potável durante vários dias. Nenhuma pedra torna uma água mais pura, e uma pedra que exige precaução nunca tem lugar em um copo ou em uma jarra.

Lascas e pedras pequenas

A obsidiana é um vidro vulcânico: quebrada, forma arestas tão cortantes quanto um vidro estilhaçado, e suas lascas serviam de lâminas desde a pré-história. As pedras frágeis, como a fluorita, a opala ou a selenita, também se lascam em arestas vivas. As pedras pequenas roladas, as contas de pulseira e as lascas vendidas a granel trazem outro risco: uma criança pequena pode engoli-las ou se engasgar. Mantenha-as fora do seu alcance. Se uma criança engolir uma pedra, sobretudo uma pedra com cobre ou metais, ligue para um centro de intoxicações, mesmo sem sinal visível; em caso de dificuldade para respirar, ligue para o SAMU (192).

Imitações e denominações

O perigo mais frequente é comercial. A moldavita é muito imitada em vidro verde, a howlita, depois de tingida de azul, passa por turquesa, e muitas turquesas são estabilizadas com resina ou reconstituídas. Na França, o decreto n.º 2002-65, de 14 de janeiro de 2002, impõe designar exatamente uma pedra sintética, uma imitação ou certas pedras tratadas, e a DGCCRF fiscaliza essas denominações no comércio de joias. Peça ao vendedor a denominação completa, escrita na nota fiscal. Um tingimento também pode desbotar no contato com a água ou com a pele: mais uma razão para saber o que se usa.

Os “perigos energéticos”: crenças

As buscas “obsidiana negra perigo”, “turmalina negra perigo” ou “moldavita perigo” muitas vezes visam outra coisa: o receio de que uma pedra seja “forte” demais. Segundo certas obras de litoterapia, a obsidiana faria emergir emoções difíceis, a moldavita provocaria tonturas ou palpitações, a turmalina negra absorveria tanto que seria preciso purificá-la sem parar. São crenças, relatadas como tais: nenhum estudo mostrou que uma pedra aja sobre o humor ou sobre o corpo, para o bem ou para o mal. Se você sentir um mal-estar, não procure a causa em uma pedra: faça-se examinar.

O risco mais grave: adiar um cuidado médico

O perigo mais pesado continua sendo indireto: contar com uma pedra e adiar um exame ou um cuidado útil. Uma pedra continua sendo um objeto de símbolo: nunca um substituto de uma consulta, de uma receita médica ou de um acompanhamento. Nunca interrompa um cuidado prescrito por causa de uma pedra, e informe qualquer prática complementar a quem acompanha você. A Afssaps (França) lembrou isso já em 2005, ao fazer cessar os anúncios de um estabelecimento cujas promessas sobre as pedras não tinham nenhuma demonstração clínica. Para a regra de cuidado de cada pedra, consulte a ferramenta “Cuidar da minha pedra”.

Nenhuma pedra tem efeito comprovado sobre a saúde: em caso de problema, consulte um profissional de saúde.

Precauções com as pedras: os perigos reais: suas perguntas

A obsidiana negra é perigosa?

Não pela matéria: é um vidro vulcânico, rico em sílica, sem componente tóxico conhecido. Seu único risco real é mecânico: uma peça quebrada ou uma ponta lascada corta como um caco de vidro. Guarde-a separada, mantenha-a fora do alcance de crianças pequenas e descarte os pedaços quebrados bem embalados. As advertências sobre emoções que ela faria emergir pertencem à crença.

A turmalina negra é perigosa?

Não, no sentido material. O schorl, seu nome mineralógico, é um silicato de boro duro, que se manuseia e se enxágua sem dificuldade; só uma barra bruta pode lascar em suas arestas. Os “perigos” mencionados na internet, uma pedra que absorveria demais ou que seria preciso purificar sem parar, são crenças da litoterapia moderna, sem nenhum efeito mensurável.

A moldavita é perigosa?

A pedra em si não é: é um vidro natural, nascido do impacto de um meteorito na Europa Central há cerca de quinze milhões de anos. O verdadeiro risco é comprar uma imitação em vidro verde industrial, muito frequente e às vezes vendida caro: exija uma denominação por escrito. Os mal-estares que certas obras lhe atribuem pertencem à crença; em caso de mal-estar real, faça-se examinar.

O que fazer se uma criança engolir uma pedra?

Ligue sem demora para um centro de intoxicações, mesmo na ausência de qualquer sinal: no Brasil, o Disque-Intoxicação (0800 722 6001) ou o Ciatox (centro de informação toxicológica) do seu estado orienta o que fazer. Informe o nome da pedra, sobretudo se for uma pedra com cobre ou metais, como a malaquita ou a shungita. Em caso de dificuldade para respirar ou de perda de consciência, ligue para o SAMU (192).

Precisa de ajuda?

  • Brasil
    • 0800 722 6001Disque-Intoxicação (Anvisa)Grátis, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Fonte: gov.br
    • 192SAMU 192 — urgência médicaGrátis, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Fonte: gov.br
    • 190Polícia MilitarGrátis. Fonte: gov.br
    • 193Corpo de BombeirosGrátis. Fonte: gov.br

Outro país? Find A Helpline (ThroughLine) reúne linhas de escuta gratuitas e verificadas em mais de 175 países.

O que a sua pedra suporta

Água, sal, sol, calor, impactos: a resposta para a sua pedra, com o motivo, antes de limpá-la ou energizá-la.

Cuidar da minha pedra Grátis, sem cadastro · nada sai do seu navegador · nenhuma promessa.